quinta-feira, 4 de abril de 2013

Futebol menor no Bernabéu


Edu: O noticiário de hoje sobre a confirmação do envolvimento da filha mais nova do rei no escândalo 'patrocinado' pelo marido, o ex-jogador de handebol e duque consorte Iñaki Urdangarin, foi bem mais interessante do que jogo do Bernabéu. Muito irresponsável esse time do Galatasaray...
Carles: Nenhum dos dois acontecimentos conseguiu melhorar o meu humor. Para piorar, acabei de ler que a imprensa madrilenha qualificou de ‘grande jogo’ o do Madrid. A mesma imprensa que sempre enalteceu a monarquia. Provavelmente vivo em outro mundo.
Edu: Em certo momento do jogo pensei em algo melhor para fazer. Assisti um pouco o Málaga resistindo ao Dortmund, ao menos o time de Pelegrini é bastante honesto e competitivo. Enquanto os turcos me saíram os piores dos oito desta fase. Até tem alguma coisa interessante no ataque, mas é uma indolência irritante. E mais uma vez confirmei que Sneijder é um desses tipos supervalorizados que surgem no futebol, que fazem duas partidas boas por ano e ficam na sombra o resto do tempo. No Brasil, principalmente, falam demais dele porque foi o responsável pelos gols que eliminaram a Seleção do Dunga na África do Sul. Mas nunca me convenceu. É total meia-boca...
Carles: Sem dúvida de honesto o holandês não tem nada, é dos que se escondem voluntariamente. O time turco é horrível taticamente o que prejudica muito a performance das suas poucas individualidades. O pior é que o Madrid é praticamente semifinalista sem merecê-lo. Por salvar alguém da queima, Xabi Alonso e Özil. Escuta, quem tinha desclassificado o Dunga não foi o companheiro do Sneijder, o Melo?
Edu: Foi um conluio Melo, Sneijder e Julio César. Mas o holandês ficou com as honras.
Carles: O futebol é assim mesmo, fabrica os ídolos de barro que perduram no ideário coletivo, como o tal Mourinho. Diga-me o que ele acrescenta ao futebol, por favor?
Edu: Bom, Carlão, é bom que deixemos claro aqui que o Real Madrid cumpriu com sobras a sua obrigação. Não vou demonizar o time por causa de Mourinho. Continua sendo um dos favoritos porque tem jogadores determinantes. E nem podemos dizer que chegou até aqui por um conjunto de acasos porque sequer o Manchester reuniu méritos para seguir adiante. Mas, de todos os favoritos, é o que foi menos testado. E, quando foi, como contra o Dortmund na primeira fase, derrapou... Digo mais: por uma série de circunstâncias está neste momento mais sólido que o próprio Barça...
Carles: Não estou de acordo. O Madrid é um franco atirador, não tem nada de sólido, é um barril de pólvora prestes a implodir, seu futebol não encanta e, sim, tem alguns jogadores determinantes. Contudo, hoje, a fragilidade defensiva dos turcos facilitou demais o trabalho. Até agora não entendi o sistema de cobertura deles no primeiro gol. E até que ponto o zero a zero na Rosaleda é uma derrapada do Borussia Dortmund?
Edu: De franco atirador não tem nada. Franco atirador é o Málaga, que provocou a derrapada do Borussia, ou o próprio Galatasaray. O Madrid está entre os favoritos sem nenhuma discussão. Vem de um momento importante na Champions e dos confrontos com o Barça, o que dá sustentação mental ao time, em que pese algumas fragilidades. Muita gente venceu esse torneio jogando muito menos que isso, inclusive o Chelsea, último campeão.
Carles: Dentro dos limites, o jogo do Málaga é mais adequado ao seu projeto e, por isso, legítimo. Não vejo nada de franco atirador nisso. O time andaluz conhece suas próprias limitações. O Madrid é franco atirador porque trata de rejeitar as suas possibilidades. O "projeto" de Mourinho sobrevive à base do oxigênio conseguido nos dois jogos seguidos vencidos diante do arquiinimigo que durante anos não lhe deu a mínima chance. E veja o quanto durou a glória da conquista do Chelsea.
Edu: Só que futebol é mais do que isso, bem mais do que a influência às vezes nefasta de um técnico. Nem tudo se resume ao Mourinho ou ao estilo de jogo que ele tentou impor. Você mesmo disse aqui várias vezes que a maioria do elenco deu uma banana para o Mourinho. Há caras muitos bons ali e outros extremamente decisivos, entre eles o outro português. Esses caras têm ou não capacidade de ganhar a Champions? Têm ou não argumentos técnicos para isso? Está longe de ser o tipo de jogo que me agrade, mas os caras podem chegar lá. Özil, Xabi, Cristiano, Di Maria, Varane, Ramos e os atacantes podem chegar lá, tranquilamente.
Carles: É obvio que o Madrid tem muitas chances de chegar e provavelmente com mais méritos que o Chelsea da temporada passada, mas sigo acreditando e confiando na pouca justiça desse tipo de  competição. Sob esse critério, nem o Barcelona seria o mais justo vencedor, talvez um dos alemães, sobre tudo o Borussia, exemplo claro de que, sim, um plano tático e técnico é importante, além de bons executores.
Edu: De todo jeito, o que ficou para a semana que vem é um jogo tenso (em Turim), algumas incertezas que dependem da presença do Messi (em Barcelona), um desafio tático monstruoso para Pelegrini (no caldeirão de Dortmund) e um joguinho de trâmite (em Istambul)... Acho que vou retomar a leitura sobre as falcatruas da infanta Cristina.
Carles: Mas leia rápido. Esperamos que em breve as histórias sobre a monarquia sejam só isso mesmo, história.

3 comentários:

Anônimo disse...

Carles, ets un fals i un manilul·lador. Dissimulas el teu favoritisme cap al Barça i reconeixes implicitament que no mereixen guanyar la Champions dïent que la mereix més un equip alemany (mai el Reial MadriT). Ah, i que els diaris que van amb el RM son els de la monarquia... Sense mes comentari, espro que els lusofons que et lleigeixin no s'en creguin las tevas patranyas.

Anônimo disse...

Merda per a tú, Carles.

Carles Martí disse...

Hola anònim, qui és el dissimulat? Et recomano que canviïs el teu traductor automàtic de català. Però que no ens deixis de llegir. Una salutació.